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Como a técnica gamefication pode facilitar a aprendizagem aos adultos
PUBLICADO EM: quinta-feira, 18 de maio de 2017
RECURSOS HUMANOS

COMO A TÉCNICA GAMEFICATION PODE FACILITAR A APRENDIZAGEM AOS ADULTOS

*por Lucimar Delarolli, consultora da Integração Escola de Negócios

As empresas estão vivendo momentos desafiadores de rupturas de paradigmas, com uma necessidade cada vez maior de se reinventar e rever seus modelos de negócio. Para encarar estes novos desafios, é fundamental que as companhias tenham pessoas bem preparadas, com habilidades e atitudes alinhadas à sua cultura para propor soluções sustentáveis que viabilizem identificar, atrair e reter clientes, sem descuidar dos que já estão fidelizados.

Neste contexto, é mais do que necessário investir no capital humano por meio de treinamentos. Porém, os cortes de gastos impulsionados pelos desafios da economia e a premissa de extrair o máximo de produtividade das equipes muitas vezes criam para o RH o dilema de como, quem e quanto treinar.

A verdade é que o tempo em sala de aula precisa ser otimizado. Acredito que essa seja uma das razões para a crescente valorização da modalidade de treinamento gamefication, no qual colaboradores são convidados a praticar, refletir e construir com base em conhecimentos e habilidades necessárias ao negócio e a carreira, por meio de jogos em sala de aula ou no ambiente virtual, com desafios que os ajudem a solucionar questões complexas que visam a satisfação dos clientes.

Como o próprio nome sugere, a gamefication funciona como um jogo, que envolve e desafia os participantes em uma série de etapas. Diferente da lógica escolar, o aprendizado não se dá por meio de matérias ou conteúdos separados. Por meio do problema e de sua melhor solução chega-se aos conceitos, seguindo a lógica da vida.

Nesse caso, o professor deixa de ser “o dono do saber” para assumir o papel de alguém que ajuda a refletir e fazer as perguntas corretas para que os próprios alunos encontrem as respostas. O aluno passa a ser co-criador de seu saber, enquanto o professor tradicional abre espaço para o líder coach. Consequentemente, o ambiente se torna mais propício para o aprendizado, a motivação para a descoberta e a participação. Mas de onde vem esse método?

Por volta de 1970, Malcom Knowles, a partir das observações que fez de alunos adultos, chegou ao conceito de Andragogia, entendido como “a arte e a ciência de ensinar adultos a aprender”. Knowles percebeu que, ao longo do amadurecimento do adulto, deve-se observar e valorizar suas experiências passadas, que muito interferem no processo de aprendizagem. Geralmente, os adultos querem um aprendizado que aprimore suas habilidades sociais e sua interação com os demais e que favoreça melhorias em sua trajetória profissional. Eles desejam usar os conhecimentos no dia a dia, na resolução de seus problemas cotidianos. Portanto, essa técnica tem como objetivo a aquisição de um conhecimento que provoque a reflexão e que impacte a vida de uma pessoa em todos os aspectos.

Todos os adultos, dentro de seu desenvolvimento pessoal, precisam vivenciar o Ciclo de Aprendizagem ou a Andragogia, que por sua vez se dá em quatro etapas:

 

  1. Vivência – Consiste em proporcionar experiências, situações e exercícios que desafiem e estimulem os treinandos a vencer obstáculos, resolver problemas e atividades correlacionadas ao seu dia a dia, como desenvolver todo um processo para sanar o problema de um cliente. A vivência é o desafio a ser conquistado.
  2. Análise – Durante o desenvolvimento do desafio, o professor faz poucas intervenções, permitindo que os alunos busquem os insumos necessários e, em equipe, encontre as respostas, orientando fontes de pesquisa e reflexões. Esse processo é chamado de processamentou ou debriefing. Aqui, o professor observa a forma como cada aluno resolve ou alcança os resultados, ou seja, como ele analisa e pinça informações do contexto. É observado também como ele administra o tempo e se apropria dos objetivos ao negociar, sintetizar e usar os conhecimentos, teorias e recursos a fim de solucionar a questão.
  3. Conceituação – É quando o aluno aprendeu, fechou sua Gestalt, entendeu os princípios e como eles se correlacionam para construir a resposta. É importante considerar que cada aluno tem um tempo de aprendizado diferente.
  4. Aplicação – Aqui, o treinando está apto a reaplicar, em diferentes contextos e situações, os conceitos e princípios aprendidos. Ele resolve os problemas, decifra os enigmas, compreende o seu contexto e aplica as melhores respostas aos diferentes cenários de sua vida e carreira.

 

Dominar esses conceitos torna-se fundamental para os profissionais de Gestão de Pessoas nas áreas de Educação Continuada quando contratarem seus palestrantes, facilitadores, instrutores e professores. Deve-se atentar para que os mesmos estejam preparados para conduzir treinamentos neste novo método para que seus alunos-colaboradores assimilem melhor os conhecimentos e técnicas que as corporações desejam que eles apreendam.

 

(Baseado em diversos textos do prof. Dr. Gilberto Teixeira, FEA/USP)

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